quinta-feira, outubro 17

Um ônibus vazio.



Depois, apoiou com sono a cabeça em meu ombro, balançava muito, o ônibus.

Segurei na altura do ouvido, aproveitei pra um carinho, mas a deixei segura nas curvas. 
Eu teria adormecido se não precisasse garantir que dormisse em segurança.

No final do caminho, já havia acordado, mas permaneceu ali, entre minha mão e ombro, esboçou um sorriso e segurou minha minha mão que protegia. 

Avisei que saltaria e agradeci a companhia. 
Disse pra eu me cuidar, ainda segurando minha mão, com os olhos apoiados nos meus e um sorriso que me fez sorrir também. 

Desci do ônibus e caminhei sorrindo até o escritório, onde ainda sorrindo olhei o telefone e abri a mensagem: "Nos vemos a noite?" o sorriso permaneceu. 

Entrou a noite e ela entrou em minha casa transformando num lar, acendendo as luzes, colocando música. 

Perguntou se podia falar e respondi que sempre poderia. 
Disse que não aguentava mais esperar, que me amava muito. Eu apenas sorri, no mesmo segundo pediu pra eu esquecer o que havia dito, numa crise de consciência repentina.
Eu sorri novamente, dessa vez achando graça, riu também. 

Jamais esqueci o impulso que não pode conter em dizer o que sentia, não digo que sinta, ainda, então, mas nao se pode negar o real. 

Se pode negar as palavras, mas não se pode negar o que se diz com os olhos.