quinta-feira, outubro 17

Um ônibus vazio.



Depois, apoiou com sono a cabeça em meu ombro, balançava muito, o ônibus.

Segurei na altura do ouvido, aproveitei pra um carinho, mas a deixei segura nas curvas. 
Eu teria adormecido se não precisasse garantir que dormisse em segurança.

No final do caminho, já havia acordado, mas permaneceu ali, entre minha mão e ombro, esboçou um sorriso e segurou minha minha mão que protegia. 

Avisei que saltaria e agradeci a companhia. 
Disse pra eu me cuidar, ainda segurando minha mão, com os olhos apoiados nos meus e um sorriso que me fez sorrir também. 

Desci do ônibus e caminhei sorrindo até o escritório, onde ainda sorrindo olhei o telefone e abri a mensagem: "Nos vemos a noite?" o sorriso permaneceu. 

Entrou a noite e ela entrou em minha casa transformando num lar, acendendo as luzes, colocando música. 

Perguntou se podia falar e respondi que sempre poderia. 
Disse que não aguentava mais esperar, que me amava muito. Eu apenas sorri, no mesmo segundo pediu pra eu esquecer o que havia dito, numa crise de consciência repentina.
Eu sorri novamente, dessa vez achando graça, riu também. 

Jamais esqueci o impulso que não pode conter em dizer o que sentia, não digo que sinta, ainda, então, mas nao se pode negar o real. 

Se pode negar as palavras, mas não se pode negar o que se diz com os olhos. 


domingo, outubro 6

O mais feliz da vida - A banda mais bonita da cidade

Em 2009, A Banda Mais Bonita da Cidade nasceu em Curitiba, e em 2011, a banda estourou com “Oração”, o clipe independente em plano sequência, atualmente ultrapassa 12 milhões de visualizações no Youtube.

O primeiro álbum da banda foi gravado graças ao financiamento coletivo, o sistema de crowdfunding, na época, pouco conhecido no Brasil.

No último dia 1˚ a Banda mais bonita lançou seu segundo álbum, “O mais feliz da vida”, disponível no Itunes e para download no site.

‘O mais feliz da vida’, é o nome do álbum homônimo a sua primeira faixa, produzida por ninguém menos que Chico Neves, que já produziu bandas como: O Rappa, Lenine, Los Hermanos, Nando Reis entre outros grandes. As outras faixas foram produzidas por Vinicius Nisi, tecladista da banda.




A canção “Um cão sem asas” é a estréia de Uyara Torrente como compositora, é uma faixa densa e cheia de metáforas, com o talendo vocal característico e inegável da vocalista.

A banda propõe no álbum uma interiorização sobre a vida, sobre as etapas da vida, sobre viver, sobre questões sobre o tempo e a morte. O Encarte é muito bonito, traz fotos dos progenitores de cada integrante com intuito de evidenciar a passagem do tempo.

A 3˚ Faixa é uma releitura da música ‘Que isso fique entre nós’ do Pélico, com a cara da banda e uma roupagem diferente, mas densa como a original, uma bela versão.

O som é completo, construções inteiras e diferentes que hora tem uma pegada alegre um pouco circense, hora uma angustia leve que é logo curada, como o álbum propões mesmo, uma reflexão sobre a existência e o passar do tempo.

Os vocais são ótimos e as letras simples, tocantes e intensas. MPB da melhor qualidade, um disco que consegue interiorizar, relaxar, passar romantismo e tranquilidade sem tédio ou marasmo.

É apenas o segundo álbum da banda, e pelo que parece estão cada dia crescendo e estudando mais sobre o que fazem com o intuito de estarem cada vez melhores, como deve ser mesmo, união de talento e dedicação.

É daquele tipo de álbum pra ouvir inteiro quase sem sentir, num fim de tarde ou como som ambiente apreciando a poesia das letras. 

"Há tempos eu não via
Página em branco
Força, redenção e amor
Isso por direito, pro resto dá-se um jeito"

Ouça o álbum completo: