domingo, setembro 22

A culpa é das Estrelas - John Green

“A Culpa É das Estrelas", de John Green.
Título Original: The Fault In Our Stars
Editora: Intrínseca.

Nota: 6/10

Em A culpa é das Estrelas, Hazel Grace tem 16 anos, Augustus Waters 17. Ela gosta de ler e assistir séries de Tv. Ele tem uma coleção extensa de troféus do time de Basket e é viciado em jogos de videogame.

Eles se conhecem e se apaixonam, tudo como manda o regulamento de qualquer romance adolescente. Exceto pelo fato de Hazel ter câncer em metástase nos pulmões, e Augustus estar se recuperando após ter amputado uma das pernas também em decorrência da doença. 




Logo nos primeiros encontros, Hazel apresenta a Augustus o seu livro preferido: ‘Uma aflição imperial’. Ele de cara se apaixona pelo livro que termina de forma inesperada, e juntos eles vão atrás de respostas para toda a curiosidade que o autor do livro deixa nos dois.

John Green escreve de um jeito suave e ao mesmo tempo cruel. Não poupa palavras e ironias acerca de assuntos pouco corriqueiros acerca do câncer e de quem sofre dele. A narrativa é intensa e presumo que o fará devorar o livro em 2 ou 3 dias.

Me apaixonei pela narrativa de Hazel, me envolvi com as questões Metalinguísticas de ‘Uma aflição imperial’ (o livro preferido de Hazel), me encantei com as investidas do Gus, e chorei rios com os últimos capítulos.

Confesso que fiquei com muita raiva de ter lido. Foi o primeiro sentimento que me bateu assim que consegui me recuperar do final um tanto quanto... emocionante. Acho que é uma boa palavra.
Fiquei com raiva, mas logo entendi que o que John Green conseguiu fazer, foi me envolver de tal forma com os personagens, a ponto de me fazer sentir perdendo alguém do meu próprio convívio de maneira dura e arrebatadora.

O romance é lindo, gostoso de ser lido e cruelmente real, com questões e sentimentos difíceis de lidar, acerda da vida, morte, coragem, amor e valores.

John conduz bem o contraste entre amor e morte, vida e luta, sonho e realidade, e tantas outras questões filosóficas, com referencias atuais e um cenário familiar para qualquer adolescente: Conflitos com os pais e preguiça de estudar. 

Um bom livro. Linguagem excelente e pelo que pude pesquisar a tradução foi bem fiel ao texto original. Acima da média e bem construído, mas com bastante clichê e algumas contradições na narrativa. A temática e a maneira como o livro se desenvolve me lembrou um pouco ‘Os papéis de Lucas’, livro do Júlio Emilio Braz, sobre um adolescente que morre de Aids e seu diário é encontrado. 

É um livro que deixa a vontade de aproveitar a vida, aproveitar o dia, dizer que ama quem você ama e lutar por cada um de seus sonhos, assim como devem ser os romances adolescentes, mas Green acertou na dose de realidade, mostrando que a vida e o amor não são um paraíso com borboletas coloridas e beijos roubados, existem intempéries e imprevistos, e motivos maiores pelos quais lutar.

O título 'The Fault In Our Stars', foi retirado de uma peça de Shakespeare onde Cassius diz: "A culpa não é das estrelas, a culpa é de nós mesmos que consentimos em ser inferiores." John Green apresenta seu ponto de vista apresentando questões internas de personagens que mesmo com limitações das quais não tiveram culpa, fazem a vida acontecer da melhor maneira, nos fazendo acreditar que em algumas questões da existência, a culpa seja mesmo, das estrelas.