terça-feira, junho 18

Conseguimos conquistar com Braço forte!



Lembro muito bem da responsabilidade que eu sentia ainda no ensino fundamental na Escola Padre Butinhá, de chegar todos os dias na hora correta para formar e cantar o Hino, que era um momento importantíssimo, onde eu me sentia, lá com meus 8 anos muito responsável pela pátria. Meu Sonho de criança era chegar ao último ano e poder entrar para o Pelotão da bandeira. 

Lembro de uma oportunidade em um evento, em que pude de participar da cerimônia, e hastear a bandeira do Brasil em frente a todo um pátio lotado de alunos ecoando o hino Nacional, e lembro do sentimento de responsabilidade pela bandeira, pelo país, por estar representando todo um povo naqueles poucos segundos em que me concentrava pra que a bandeira chegasse ao topo juntamente com os acordes finais do Hino.  

Cresci, e entre relatos dos livros de História, músicas MPB de 64, a Ideologia do Cazuza, a Sociedade alternativa do Raul e até mesmo o desejo de revolução do Lennon, me geravam sempre uma sensação de saudosismo de algo que não vivi, enquanto ouvia os mais velhos dizendo: "Você é o futuro do país !"

Em 2004, com 12 anos, lembro de ter me determinado a convencer toda a Família a não votar no César Maia, hoje entendo, mas a verdade é que nesse dado momento, eu não fazia a menor idéia do real motivo, mas me apeguei a causa como uma determinada militante mirim, ficando inclusive, chateada com minha mãe que votou e apoiou nosso querido Demo-crata. 

Comecei a me envolver em pequenas questões políticas, mandava emails para a câmara com os emails que pegava na Tv-Camara, mas era só uma pré-adolescente que pensava que ser do Grêmio estudantil do colégio mudaria o mundo. 

Meu sentimento de Nacionalismo foi morrendo em cada livro de história finalizado, a cada avaliação do colégio sobre golpes e revoluções onde eu era parabenizada pelo professor "Parabéns, estudou tudo!", e me sentia ainda mais distante de viver um momento de transformação.  

Em 2010 na Passeata pelos royalties de Petróleo, fiquei extremamente decepcionada com o que vi. Sai de casa, disposta a brigar por direitos, pesquisei, li tudo que podia sobre o assunto e o que encontrei foram núcleos de partidos das universidades, baderneiros que queriam festa e, acreditem, azaração. E pra finalizar um maravilhoso show com vários artistas que nítidamente estavam pouco envolvidos com a causa. 

Esse momento me desmotivou e decidi que o melhor para ser feliz no mundo que vivemos, é deixar a política pra quem quer fazer política. 

Recentemente, em março desde ano, escrevi aqui mesmo nesse blog (link do post) um texto sobre toda a situação envolvendo Marco Feliciano, onde terminei dizendo: 

"Não vou desistir, Não podemos permitir que o Brasil se torne essa festa da corrupção e impunidade, pode ser cansativo, pode parecer que não há mais maneiras de lutar, mas somos nós, Jovens, os próximos líderes, que temos a missão de dizer aos atuais líderes como será o nosso futuro!"

Estava nesse momento tomada por um profundo sentimento de revolta e vontade de mudança, e com alguma esperança de que ali a juventude teria sentido que precisava se levantar. 

Durante todos esses anos em que esperei uma oportunidade de revolução, de ir a rua, de manifestar, de mudar o que ainda criança me era nítido estar errado, jamais pensei que sentiria novamente aquele sentimento patrióta de uma criança de 8 anos que cantava o Hino do seu país e hasteava sua bandeira. 

Ontem, caminhando pela Avenida rio Branco com uma multidão de jovens que alternavam entre gritos sinceros por mudança, pedido de paz, e o hino nacional, eu tive a impressão de que senti pela primeira vez um sentimento de pertencimento a pátria, um sentimento de Nacionalismo que nenhuma copa do mundo pode fornecer. 

Com punhos levantados e o pulmão a todo vapor, a geração que nascia enquanto Collor caia, munida de Vinagre, mascaras de gás e smartphones que evidenciavam a democracia da informação, urrava em massa no centro do Rio de Janeiro, como um grito de liberdade preso no peito de uma juventude desmerecida, que não se contentou em se esconder atrás das Hashtags:

"Mas, se ergues da justiça a clava forte, VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA,
Nem teme, quem te adora, a própria morte, TERRA ADORADA!"

Foi apenas o começo, não vamos desistir, vamos mostrar que somos nós o braços fortes fa vez.  
No dia 17 de Junho de 2013, eu me senti pela primeira vez na vida, inteiramente, Brasileira. 

"Vamos fazer nosso dever de casa, 
E aí então vocês vão ver, 
Suas crianças derrubando Reis, 
Fazer comédia no cinema com as suas leis!"