sábado, fevereiro 9

Virgula



Virgula, 
Um intervalo bobo. Uma pausa pra respirar. Veio assim, indicando uma inversão, um polissíndeto: Aproximando, E entendendo, e abraçando, e querendo, e enfim.
Se soubesse dizer ao certo de onde vem a euforia, o que vem entre ser grande e ser apenas alegria.
Estar sendo o que sei de melhor inventar: um castelo, um rei, uma praia, um lar, quanta aldeia, quanta tecnologia.
Me veio assim, meio Drummond, meio Machado, entre Clarice e um pingado, entre um sorriso assim com sono de um dia bem cansado.

Veio torto, como andava, como achava que seria, meio torno do jeito que sabe, do jeito que sempre fazia.
E agora, quem diria?
Quem viria para quem sabe, endireitar. Ou entortar como sabia, pra mostrar outro lugar.
E veio assim, sem cavalo, sem espada, dizendo ja ter perdido o que nunca veio a ser nada.

Veio calmo e confiante, trouxe junto a certeza de que longe dessa terra veria a beleza de ser longe.
De sozinho ser só o que sempre foi de melhor.
E não tinha, nem esperava, nem em sonho companhia.
O pé, a louça, a distancia, a tia. A coragem de ser fraco e abraçar o que viria.

Veio então num outro dia, como que uma ventania, como a varanda de ressaca inundando o que sabia.
Veio pra dizer de longe sem muita culpa ou julgamento, pra ver como tudo estava e se não passara muito tempo.
Disse então que ela ficasse e acendesse seu incenso, que mesmo as regras transgredindo, e um outro jeito de falar, uma gíria moderninha e uma história pra contar,
Disse ele: Mesmo assim, não se acanhe de ficar. Eu aguento o teu incenso, tua gíria, teu cantar.

Tendo nele o pensamento e ao fundo o som do mar,
Ponderou nao ir além, quis ali hesitar.
Se toda aquela alegria, tanto sonho, tanto mar,
Se toda aquela poesia fosse um dia naufragar.

Ele disse então: Eu faço!
Faço a barba e a companhia, olha a lua, esquece o Dia!
Eu aceito a incerteza, eu aceito a cantoria,
Aceito ser incerto, o tempo, e tudo mais que restringia!

Ela disse então: Eu fico!
Fico e mudo de postura, de cintura e conjuntura!
Eu aceito a gentiliza, eu aceito a mordomia,
Aceito estar por perto, o tempo, e toda sua ideologia!