terça-feira, fevereiro 26

Nao vai levar o guarda chuva nao?



Com o tempo você vai aprendendo que na vida existem diversas maneiras de se aprender.

Os exemplos ruins, são pra quem ja pegou o jeito, e nao se permite mais pensar: "vai que comigo da certo". Os maus exemplos poupam tempo dos observadores.

Os bons exemplos, pra alguns nao passam de admiráveis, mas assim como os maus: como poupam tempo de quem observa com atenção, não apenas os resultados, mas todo o caminho percorrido para ele.

O erro. Sempre eficaz. Traz um peso maior de não poder ser repetido, apontando falta de atenção e certo gosto pelo risco, quando o é.

Nada melhor que cair pra aprender a levantar, clichê, e clichê dizer que é clichê, mas os clichês também sao boas maneiras de se aprender: repetição!

E os conselhos, que se fossem bons seriam vendidos e nao oferecidos, sempre vale a pena mesmo que breve uma avaliação da validade do conselho. 

Sabe aquela pergunta de mãe: ' filho, nao vai levar o guarda-chuva nao?'

Chove.


sexta-feira, fevereiro 15

Como você fica de asas...



Não são anotaçoes romanticas para apaixonados em dias quaisquer se identificarem enquanto suspiram, nem tampouco, uma baboseira apaixonada pra ser usada em datas especiais em que se deve dizer algo apaixonado, romantico e tolo. 

Essas são as anotações que vou ler quando me encontrar incrédula, das pessoas, das situações, dos rumos da vida e da humanidade.

São anotações de como chegou trazendo no sorriso todas as cores pro meu mundo cinza, como quem pinta sem muita técnica, mas com muito talento, uma tela já manchada de cores borradas, talvez usadas fora de hora. Corrige as linhas tortas tornando os feios borroes, bonitos traços abstratos.

Sorri sem nenhum medo, armada no sorriso de todas as cores; Como um prisma, colore toda luz que a toca, ilumina todo o redor com sua luz clara e revigorante; Como ninguém, conduz ainda sorrindo uma tranquilidade que por hora não cabe. Traz consigo a leveza de quem sem pressa tece as linhas de um tecido, e cai na linha do horizonte. 

Não parece ter limites, pra essa luz se expandir, não parece ter repouso pra essa energia renovar, e como quem canta o tempo todo, veio pro meu mundo cantarolar, dizer sim a alegria, abrir as portas pra gargalhar, veio tranquila e paciente como onda após onda na certeza de nunca parar.

Sob o equilibrio: brinca, manobra, finge não se afetar, com gravidade ou queda ou qualquer que possa a derrubar. Brincadeira de criança! É o que vão falar. Nem liga, solta a voz e vai cantar, vai brincar de falar sério, falar sério apenas sobre brincar, num sutil e etério brilho, iluminando todo lugar. 

E se mais uma noite, num bocejo devagar, quando quase ao me cobrir, vier me perguntar: "No sonho, como fico de asas?" não irei pestanejar:
Fica o anjo mais bonito, com as asas a cintilar, no contorno de um sorriso com cheiro doce a exalar, com a doçura de quem trás a tranquilidade em cada olhar, todo anjo saberia sem sequer se questionar que não tem nenhum misterio, nem no céu e nem no mar, que me traga mais sorrisos, que suas asas no meu sonhar. 

Durmo então tranquila e calma, sem mais nada a incomodar, sem nenhum traço de angustia, numa rede em frente ao mar. Durmo leve e paciente, porque sei que no sonhar, vem um anjo que sem asas fez meu sonho se encantar. 

sábado, fevereiro 9

Virgula



Virgula, 
Um intervalo bobo. Uma pausa pra respirar. Veio assim, indicando uma inversão, um polissíndeto: Aproximando, E entendendo, e abraçando, e querendo, e enfim.
Se soubesse dizer ao certo de onde vem a euforia, o que vem entre ser grande e ser apenas alegria.
Estar sendo o que sei de melhor inventar: um castelo, um rei, uma praia, um lar, quanta aldeia, quanta tecnologia.
Me veio assim, meio Drummond, meio Machado, entre Clarice e um pingado, entre um sorriso assim com sono de um dia bem cansado.

Veio torto, como andava, como achava que seria, meio torno do jeito que sabe, do jeito que sempre fazia.
E agora, quem diria?
Quem viria para quem sabe, endireitar. Ou entortar como sabia, pra mostrar outro lugar.
E veio assim, sem cavalo, sem espada, dizendo ja ter perdido o que nunca veio a ser nada.

Veio calmo e confiante, trouxe junto a certeza de que longe dessa terra veria a beleza de ser longe.
De sozinho ser só o que sempre foi de melhor.
E não tinha, nem esperava, nem em sonho companhia.
O pé, a louça, a distancia, a tia. A coragem de ser fraco e abraçar o que viria.

Veio então num outro dia, como que uma ventania, como a varanda de ressaca inundando o que sabia.
Veio pra dizer de longe sem muita culpa ou julgamento, pra ver como tudo estava e se não passara muito tempo.
Disse então que ela ficasse e acendesse seu incenso, que mesmo as regras transgredindo, e um outro jeito de falar, uma gíria moderninha e uma história pra contar,
Disse ele: Mesmo assim, não se acanhe de ficar. Eu aguento o teu incenso, tua gíria, teu cantar.

Tendo nele o pensamento e ao fundo o som do mar,
Ponderou nao ir além, quis ali hesitar.
Se toda aquela alegria, tanto sonho, tanto mar,
Se toda aquela poesia fosse um dia naufragar.

Ele disse então: Eu faço!
Faço a barba e a companhia, olha a lua, esquece o Dia!
Eu aceito a incerteza, eu aceito a cantoria,
Aceito ser incerto, o tempo, e tudo mais que restringia!

Ela disse então: Eu fico!
Fico e mudo de postura, de cintura e conjuntura!
Eu aceito a gentiliza, eu aceito a mordomia,
Aceito estar por perto, o tempo, e toda sua ideologia!