quarta-feira, maio 25

"Toda Criança tem o direito de aprender a ler e escrever."


Foto postada hoje no twitter pela  @abroba.

Ótimo motivo para refletir, em meio a discussões sobre código de ética, código florestal, casamento homoafetivo, a fortuna de Palocci, o avanço da tecnologia, a morte de Bim Laden, o casamento real, enquanto discutimos futebol, onde vamos no final de semana, qual restaurante iremos jantar, o quanto iremos gastar, pra onde iremos viajar... é isso ai o que temos nas ruas... 


Maes passando com seus filhos bens vestidos ao lado dessa cena para entrar no bando, e tentando disfarçar, afastando seus filhos para que não encostem na criança da rua. Cruel? Mas é real! 
E não é falso moralismo, ou seja la o que você queira chamar. Diversas vezes ja dei um passo para o lado, ou olhei em outra direção para tentar tirar a realidade do meu campo de visão. Quem nunca fez? Quem nunca levantou o vidro no sinal?

Nossa sociedade nos ensinou isso, e nos tornamos refratários a qualquer tipo de política que faça com quem percamos algo em beneficio do outro.

Me lembro de um dos primeiros cds que comprei na vida, eu tinha 6 anos, entrei, achei a capa legal e quis comprar, era o "Quebra-cabeça" do Gabriel, o Pensador, e lá em 1997, me lembro perfeitamente de começar a entender que havia algo errado, quando aprendi a cantar: "Pátria que me pariu!" Me chamava atenção na música quando Gabriel dizia: Um feto forte, escapou da morte, Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte!"  Eu com apenas 6 anos, pensava que escapar da morte só poderia ser sorte, como assim escapar da morte por azar??! Não entendia aquela frase na música.

Depois de um tempo, entendi.
Em pleno 2011, 'Pátria que me Pariu' Continua fazendo todo o sentido. É duro, mas é o que temos pra hoje...



Pátria Que Me Pariu -Gabriel O Pensador
Uma prostituta chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula, e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento
Um feto forte escapou da morte
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio
Pátria que me pariu! Quem foi a pátria que me pariu!?
A criança é a cara dos pais mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete...
Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho
Vou pra copa vou pra Europa...
Coitadinho! Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!
Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?
Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil
Idade catorze estado civil morto
Demorou, mais a sua pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.