domingo, abril 4

Ré, Organização!

Escrevo em uma folha velha, a qual eu não lembrava mais da existência; é a única que sobrou de um bloco imenso que eu comprei não me recordo o ano, para o inicio das aulas.

Minhas mãos estão sujas e o nariz coçando, é o preço que se paga pelo passo dado: hoje fiz algo diferente, algo útil, necessário, mas que não me agrada. Abri as gavetas, escancarei os armários e joguei tudo pro alto, e como quem se muda pra outra vida, joguei fora recordações, coisas que aprendi, muito do que deveria ter aprendido, boletins, cartões, marcas de histórias que não esquecerei.

Rasguei provas de amor eterno, e guardei numa caixa o que julgava passageiro.

O cheiro de mofo e passado me traz algo de triste, mas abro um sorriso, e como quem não tem muito a fazer rasgo também as coisas bobas, coo desenhos que fiz enquanto falava com ele ao telefone, mas já nem sei ao certo quem era ele.


Separo alguns papeis que julgo ainda validos, e vou enchendo uma caixa , mas é inútil. Ate quando? Quando será a próxima hora de abandonar o peso dessa caixa?
Penso com algo estranho no peito que o mais conveniente seria jogar tudo fora, tenho muitas recordações, muitos detalhes, tantos que nem preciso deles, sei cada um, e a cada um uma história que ainda contarei por ai, a quem interessar possa.

Vou olhando as datas, e tudo me parece estupidamente próximo e infinitamente distante.
Enquanto ensaco minhas emoções, penso no que sera feito, quem ainda as tocará? Sera que vão virar lixo e poluir a cidade?ou serão recicladas para construir utilidades? Mas não importa, nunca mais as verei, retratos de uma época que não voltara ,e que de nada me arrependo, se pudesse voltar, faria tudo igual, cometeria os mesmos erros, pois eles me fizeram o que sou.
O dia começa a clarear, vai apagando a noite, e com ela vai ficando encaixotada toda uma história, na ultima sacola, vai uma lagrima, junto com sabe-se la que época que eu amassei, penso curiosa que não estou triste, e que tudo que esta indo valeu a pena, e preciso fazer com que o que vem seja tao bom se não melhor.

Boto tudo na lixeira, olho uma ultima vez, e fecho a porta, junto com o ultimo pedaço de noite que ainda restava no céu, o sol toma conta; chegou a hora de tirar das mãos e do rosto esse cheiro de poeira e lembranças, tomo um banho para lavar o corpo e a alma, e saio nova. Novas paginas, novos recados, novas anotações que um dia jogarei fora como as de hoje.
Mas em suma, não é isso a vida? Sempre virando paginas? Renovando os cadernos e deixando-os pra traz.

Espero que na próxima arrumação, quem sabe daqui a uns dez anos, eu possa dar tantas risadas e tao satisfeita deixa pra traz uma época de sorrisos sinceros, amores eternos e batalhas vencidas.
Agora tenho espaço sobrando e gavetas vazias para usar, vou preenche-los com novos sorrisos.
Abro as janelas pro sol entrar,
e preencher de luz os espaços vazios,
que serão preenchidos com o tempo.